Neurofeedback

2ºDia

Neurofeedback

O Neurofeedback (NFB) é uma técnica de intervenção neuropsicológica que permite modificar os padrões de atividade do cérebro, nomeadamente da sua parte mais evoluída – o neocórtex. Neurofeedback ou EEG de Biofeedback são sinónimos e desenvolvem-se num contexto clínico de neuroterapia. Esta técnica permite modificar a atividade das ondas cerebrais, de modo a melhorar toda a dinâmica de transmissão sináptica e libertação de neurotransmissores.

Através de exercícios de estimulação cognitiva apresentados, o paciente “aprende” a modificar a atividade bioeléctrogénica (ou seja, as ondas) cerebrais, de forma a aumentar os níveis de atenção, diminuir os sintomas de ansiedade e a tenção emocional e muscular, bem como reduzir os comportamentos hiperativos e impulsivos. Neste âmbito, estamos perante um método terapêutico não farmacológico, não invasivo e indolor, que permite ao paciente obter informação dos próprios ritmos cerebrais, usando ao mesmo tempo essa informação para produzir alterações nessa mesma atividade. O NFB refere-se a um paradigma de condicionamento operante, no qual os participantes aprendem a influenciar a atividade bioeléctrica do cérebro. Esta técnica, poderá permitir ao paciente desenvolver maior estabilidade, maior capacidade de auto-controlo, auto-planeamento, auto-gestão e melhor desempenho.

Este método de intervenção neuropsicológica tem demonstrado, em diversos estudos controlados, ser eficaz no tratamento do défice de atenção e perturbação de hiperatividade, da ansiedade, das alterações do desenvolvimento, da epilepsia, dos traumatismos crânio-encefálicos ou das perturbações do espetro do autismo. Contudo, o NFB não responde a toda e qualquer patologia ou alteração do sistema nervoso, competindo ao neuropsicólogo que aplica esta técnica compreender a eficácia e a indicação terapêutica para cada caso em particular. Esta análise e compreensão só pode ser realizada após uma pormenorizada avaliação neuropsicológica com provas específicas e um electroencefalograma quantitativo (QEEG).

O NBF têm-se mostrado, particularmente, eficaz na perturbação de hiperatividade e défice de atenção (PHDA) como apontam a maior parte dos estudos desenvolvimentos mundialmente. Os dados da investigação clínica indicam que os indivíduos com défice de atenção e hiperatividade apresentam registos de QEEG com persistência reduzida de determinadas ondas cerebrais em certas áreas e/ou com persistência elevada de outras ondas, quando comparados com indivíduos normais.

Para referir apenas alguns exemplos da sua utilidade mostrou-se que o Neurofeedback tem-se demonstrado particularmente útil em patologias caracterizadas por disfunção na regulação do arousal cortical, como a epilepsia (Sterman et al., 1974) e a PHDA (Lubar et al., 1995) ou mais recentemente estudos apontam que a neuroterapia com NFB tem o mesmo grau de eficácia no tratamento do défice de atenção e hiperatividade do que a medicação com estimulantes como o metilfenidato (Fuchs et al., 2003).

Filipa Lourenço – Neuropsicóloga Pediátrica