A PEA é considerada uma perturbação do neurodesenvolvimento de base genética, sendo atualmente uma das patologias mais hereditáveis. É uma patologia global do desenvolvimento que perturba de forma significativa o desenvolvimento da criança em diversas áreas.
A PEA, com grande variabilidade fenotípica e por isso considerada um espectro clínico, caracteriza-se então por dificuldades muito específicas ao nível da interação social, da aquisição e uso convencional da comunicação e da linguagem, pela restrita variedade de interesses e alterações do comportamento.
As manifestações clínicas são muito precoces, sendo evidentes na grande maioria antes dos dois anos de idade. Um diagnóstico seguro de PEA é geralmente feito pelos três anos de idade.
Contudo, o diagnóstico de PEA acontece tardiamente na maior parte das vezes, por volta dos quatro e os cinco anos. No entanto, como seria de esperar, as preocupações dos pais relativamente à evolução do desenvolvimento e do comportamento são bastante anteriores, surgindo habitualmente por volta dos 18 meses, sendo que as queixas mais comuns remetem para o atraso na linguagem ou para a falta de resposta ao estímulo auditivo. Cerca de um terço dos pais referem que houve uma regressão na linguagem, e nos comportamentos da criança. Por outro lado, pesquisas demonstram que os comprometimentos no desenvolvimento social são os primeiros sintomas a emergirem, embora reconhecidos apenas por uma pequena parcela dos pais.
Estudos atuais têm vindo a destacar que entre os 12 e os 18 meses, as crianças mais tarde diagnosticadas com PEA, já apresentavam lacunas em uma ou mais das seguintes áreas: visual (interesse visual atípico, mais fixado nos objetos do que na face humana); motora (atraso nas aquisições motoras, tanto na motricidade fina como global, podendo evidenciar maneirismos motores); brincar (atraso na imitação motora, manuseio dos objetos limitado e movimentos repetitivos em vez de exploração funcional e simbólica – rodopiar as rodas do carro em vez de o usar para brincar; interação social (olhar desviante, dificuldades em responder ao nome e em imitar, pouco interesse social, pouca partilha emocional positiva); linguagem (atraso na vocalização recíproca, na aquisição das palavras com défice
na compreensão de ordens e gestos) e dificuldades em aprender atividades da vida diária.
Existem então vários sinais de alerta que devem ser tidos em conta, para que se consiga obter um correto diagnóstico o mais precocemente possível:
-Ausência de atenção partilhada;
-Falta de desejo ou necessidade de estar perto do outro;
-Isolar-se dos outros;
-Falta de contato visual;
-Não responder ao nome;
-Não sorrir em resposta a uma interação por parte do outro;
-Não apontar;
-Falta de intenção comunicativa (só comunica após solicitação);
-Não reagir a sons;
-Desinteresse pelo ambiente;-
Movimentos estereotipados (balanceio do corpo, abanar a cabeça, posições bizarras não usuais noutras crianças) – nem sempre presentes;
-Ausência de jogos de imitação;
-Ausência do jogo do faz de conta;
-Problemas de alimentação (por exemplo, rejeição aos sólidos, rejeição a alimentos específicos);
-Parecer não compreender o que se lhe diz;
-Atraso ou ausência de linguagem;
-Ecolália (repetição de palavras ou frases);
-Resistência à alteração de mudanças na rotina, reagindo com birras;
-Demonstrar interesse por objetos/temas invulgares;
Todos estes sinais são meros indicadores. É indispensável a avaliação por uma equipa especializada para um diagnóstico rigoroso.
A criança pode não ter os mesmos sintomas ou parecer muito diferente de outra criança com o mesmo diagnóstico. Embora o autismo seja geralmente uma condição que acompanha o indivíduo toda a vida, os seus sintomas podem mudar ao longo do tempo.
A evolução clínica depende muito da gravidade dos problemas existentes e das comorbilidades existentes. A evolução da PEA ainda não está bem estudada, pelo que quanto mais precoce for a intervenção, maior a probabilidade de uma melhor evolução.
Um diagnóstico precoce, bem como uma avaliação adequada e uma intervenção atempada e intensiva melhoram o prognóstico.
Dra. Rita Silva
Técnica Superior de Reabilitação Psicomotora/Psicomotricista
(Programa Crescer Passo a Passo)
Bibliografia:
– Lima, C. (2012). Assim Perturbações do Espectro do Autismo: Diagnóstico. Perturbações do Espectro do Autismo: Manual prático de intervenção. Lidel.
– Oliveira, G (2009). Autismo: diagnóstico e orientação, Parte I – Vigilância, rastreio e orientação nos cuidados primários de saúde. Acta Pediátrica Portuguesa, Sociedade Portuguesa de Pediatria.
– Zanon, R., Backes, B. & Bosa, C. (2014). Identificação dos Primeiros Sintomas do Autismo pelos Pais. Psicologia: Teoria e Pesquisa, Vol. 30 nº1, Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
