Nova Valência: Terapia Ocupacional – Integração Sensorial


Ao longo da sua intervenção em Pediatria, a equipa multidisciplinar da Estimulopraxis foi deparando-se com crianças que apresentam variadíssimos problemas e diagnósticos, tentando sempre encontrar a melhor resposta para lhes proporcionar um desenvolvimento harmonioso, ajudando-as a atingir o máximo de autonomia. Desta forma, esta equipa procurou diversificar as suas abordagens de intervenção de forma a conseguir maximizar estes objetivos.

Foi assim que a Estimulopraxis “encontrou” e se interessou pela Integração Sensorial. Esta abordagem alia os interesses da criança, através do brincar, de forma a desenvolver as suas competências motoras e cognitivas.

Mas em que situações é que uma criança beneficia de uma intervenção baseada na teoria de integração sensorial?

Quando uma criança apresenta comportamentos desadequados – de impulsividade, irritabilidades – dificuldade em realizar tarefas motoras adequadas à sua idade – como vestir o casaco, cair com frequência e/ou desenhar as letras do seu nome -, dificuldades de aprendizagens – dificuldade em permanecer atento, distrai-se com facilidade com ruídos e/ou materiais – e até mesmo envolver-se em brincadeiras com os seus pares, podemos estar perante uma criança com disfunção de integração sensorial.

Crianças com perturbações do desenvolvimento, como perturbação do espectro do autismo ou perturbação de hiperatividade e défice de atenção, apresentam, frequentemente disfunção de integração sensorial.

A disfunção da integração sensorial consiste na dificuldade do sistema nervoso central (SNC) em processar e/ou organizar a informação sensorial que a pessoa recebe ao interagir com o meio.

O nosso corpo tem dois tipos de sentidos: os sentidos distais – que são aqueles que todos conhecemos como os cinco sentidos (visual, auditivo, táctil, olfativo e gustativo) e que nos dão informação daquilo que é externo ao nosso corpo – e os sentidos proximais – que são aqueles que não conseguimos observar, mas que são fundamentais à nossa sobrevivência uma vez que respondem ao que está a acontecer no nosso corpo. Estes últimos sentidos ou sistemas sensoriais são: o sistema táctil – que dá-nos informação pelo tacto, que recebe através da pele –; o sistema vestibular – que dá-nos informação pelo movimento e gravidade, que recebe através do ouvido interno –; e o sistema proprioceptivo – que dá-nos informação pela posição e partes do corpo, que recebe através dos músculos, ligamentos, tendões e articulações.

É, principalmente, sob estes três sistemas sensoriais que a integração sensorial se incide. A dificuldade em processar estes três sistemas, em conjunto ou separadamente, provoca as disfunções de integração sensorial.

A teoria da integração sensorial, como é atualmente usada na prática da Terapia Ocupacional, foi desenvolvida pela Dra. Jean Ayres, ao longo dos anos 60 e 70. A Dra. Ayres investigou sistematicamente a forma como cérebro processa a informação sensorial de forma a usá-la para aprendizagem, para as emoções e comportamento.

Os princípios essenciais à intervenção recorrendo a uma abordagem da Integração Sensorial, passam por:

  • Profissionais qualificados em integração sensorial e terapia ocupacional;
  • Plano de intervenção centrado na família, baseado numa completa avaliação e interpretação dos padrões de disfunção de integração sensorial
  • Ambiente seguro que inclua equipamento capaz de providenciar sensações vestibulares proprioceptivas, tácteis e oportunidades para a praxis.
  • Atividades: ricas em sensações, especialmente aquelas que providenciam sensações vestibulares, tácteis e proprioceptivas, e oportunidades para integrarem essa informação com outras sensações como as visuais e auditivas;
  • Atividades que promovam um bom controlo motor e postural, incluindo segurar-se contra gravidade e manter controlo enquanto se move pelo espaço, assim como a regulação e resposta comportamental adequada.
  • Atividades são negociadas, não pré-planeadas, cabendo ao terapeuta alterar a tarefa e interagir num ambiente baseado nas respostas da criança.
  • Estratégias de intervenção que promovam o “desafio certo”.
  • Oportunidade para a criança produzir respostas adaptativas (adaptar o seu corpo e interagir adequadamente com coisas e pessoas no espaço) a diferentes e cada vez mais complexas exigências do ambiente
  • Motivação intrínseca e vontade de envolver-se em atividade agradáveis, ou seja, brincar.
  • Dra. Mariana Ventura – Terapeuta Ocupacional